Imaginação e fantasiaPortuguês (Portugal)
Barquinho Pirata Sem Bandeira
A Catarina era um barquinho pirata, e era o único barquinho do porto com uma vela às bolinhas.
Ela queria uma coisa só: uma bandeira preta, como a dos piratas grandes. Sem bandeira, quem ia acreditar que ela era pirata?
— Tu és um barquinho de banheira — disse o pato de borracha, a rir.
— Sou pirata! — disse a Catarina. — Só me falta a bandeira.
Ela procurou no cais. Encontrou uma meia preta, pendurada num prego. Puxou, puxou, e a meia veio atrás, pesada de água. Plof! Caiu no mar e afundou.
— Outra ideia — disse a Catarina.
Sobre as ondas voou uma gaivota com uma tampa de panela no bico. Ia levá-la para o ninho da amiga, como todos os dias. As gaivotas daquele porto levavam sempre coisas de um ninho para outro, e nunca pelo mesmo caminho.
— Dás-me a tampa? — pediu a Catarina.
— Não posso — disse a gaivota. — Esta tampa tem um dono à espera.
E lá foi ela, a voar de lado.
A Catarina ficou a olhar. Depois olhou para a vela. As bolinhas eram pretas, todas, num fundo branco.
— Pretas — disse ela baixinho. — Eu já tenho preto!
Soltou uma bolinha? Não, era tinta, não se soltava. Então fez outra coisa: virou-se com o vento, esticou a vela bem alto e deixou que as bolinhas pretas brilhassem ao sol, uma, duas, três, quatro, cinco, seis.
Lá do fundo do porto, uma gaivota gritou:
— Olhem, um barquinho pirata!
— Arre! — disse o pato de borracha. — Afinal és mesmo.
A Catarina balançou nas ondas. Tlim, tlim, fazia o sino da proa, e as bolinhas pretas dançavam no vento, devagarinho, até o sol se deitar no mar.