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Folhas Laranjas da Valentina
Valentina encontrou uma folha laranja grudada no nariz do gato. O gato dormia no tapete da cozinha, e a folha nem era dele.
— De onde você veio? — ela perguntou à folha.
A folha não respondeu. Mas Valentina olhou pela janela e viu a árvore do quintal. Quase todas as folhas dela ainda estavam verdes. Só uma ou duas começavam a ficar laranja.
Valentina queria muito uma árvore toda laranja, igualzinha à do livro da vovó.
— Vem, Pipoca — ela disse ao gato. — Vamos ajudar.
Primeiro ela pegou o pincel e a tinta laranja. Pintou uma folha, depois outra. Mas a tinta escorreu, pingou na grama e a folha ficou toda mole.
— Não deu — disse Valentina.
Então ela soprou nas folhas, bem forte. Fuuu! As folhas verdes balançaram, balançaram, e continuaram verdes.
Valentina sentou no degrau e ficou olhando. Pipoca sentou ao lado dela. Ele não ajudava em nada. Só queria o sol da tarde, que esquentava o degrau.
E foi aí que Valentina reparou numa coisa. As folhas laranja ficavam bem no alto, onde o sol batia primeiro. As de baixo, na sombra, ainda estavam verdes.
— O sol! — ela disse. — É o sol que pinta!
Valentina pegou o espelhinho da mamãe. Segurou de um jeito, depois de outro, e jogou uma bolinha de luz nas folhas de baixo. A bolinha tremeu e fez cócegas nos galhos.
Pipoca pulou atrás da luz. Miau! Ele caiu bem no monte de folhas secas, e elas voaram para todo lado, estalando: crec, crec, crec.
Valentina riu até a barriga doer.
Quando a bolinha de luz parou, ela viu que uma folha verde, bem na ponta do galho, tinha uma pontinha laranja.
— Olha, Pipoca. Já começou.
Pipoca piscou devagar, com uma folha laranja de novo no nariz. E o sol, bem quietinho, foi descendo pelo galho.