Amizade e gentilezaPortuguês
Ponte que Canta
– Será que você quer brincar? – perguntou Julia, bem baixinho, para o menino do outro lado do rio.
Ele não ouviu. Estava longe demais.
Julia era nova na vila. Morava na casa azul havia três dias e ainda não conhecia ninguém. Queria um amigo, um só, para brincar de pedrinhas na beira da água.
Ela foi até a ponte. A ponte da vila era assim: cantava. Cada passo fazia uma nota diferente. Pá-ni-ni, fazia o primeiro. Dó-ó-ó, fazia o segundo. Ninguém na vila achava isso estranho.
Julia atravessou e disse:
– Oi! Eu sou a Julia. Você quer brincar?
O menino levantou a cabeça. Era o Tomás, e tinha um balde na mão.
– Agora não posso – disse ele. – Prometi à minha avó que ia trazer o balde cheio de amoras. Ainda não achei nenhuma.
Julia ficou pensando. Então teve uma ideia.
– Eu ajudo! Aí a gente brinca.
Os dois procuraram atrás das pedras. Nada. Procuraram perto das árvores. Nada também.
– Vamos tentar de outro jeito – disse Julia. – Escuta.
Ela voltou para a ponte e pisou devagar. Pá-ni-ni. Dó-ó-ó. Pisou de novo, e um pássaro voou de baixo da ponte, com o bico roxo de tanto comer.
– Olha! – disse Julia. – Bico roxo. Amora!
Atrás do pilar da ponte, havia um arbusto cheio de amoras. Tomás encheu o balde. Mas quando ele deu um passo na ponte, tropeçou, e o balde fez um barulho enorme: plof! As amoras rolaram pela ponte, e cada uma que pulava fazia uma nota diferente.
Os dois riram tanto que quase caíram na água.
Eles recolheram as amoras, uma por uma, e a ponte foi cantando junto.
– Pronto – disse Tomás. – Agora eu posso brincar. Você quer ir primeiro levar as amoras para a minha avó?
– Quero – disse Julia.
Eles atravessaram juntos, devagar. Pá-ni-ni, dó-ó-ó, cantava a ponte, e dessa vez eram dois pares de pés.