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A Bota Amarela do Enzo
— Agora a chuva está fininha, mãe! Posso pular nas poças? — disse Enzo, com o nariz colado na janela.
— Pode sim. Põe as botas amarelas.
Enzo correu até a porta. Ali estava uma bota, de pé, esperando. A outra não estava em lugar nenhum.
Ele olhou debaixo do sapateiro. Nada. Olhou atrás da porta. Nada. Foi até o quarto e olhou debaixo da cama, só achou uma meia e um carrinho.
— Cadê você, bota? — perguntou ele.
A bota não respondeu. Lá fora, a chuva ia ficando ainda mais fininha. Enzo sentou no chão, com a bota amarela no colo, e pensou.
— Já sei. Vou fazer o caminho de novo, passo por passo.
Ele voltou ao parque, quer dizer, voltou ao começo: a porta. Tirou a bota ali, sim. Passo por passo, foi pelo corredor. Passo por passo, foi até a cozinha, onde tomou leite quentinho. Nada de bota. Passo por passo, foi até o sofá, onde ficou olhando a chuva pela janela, com a coberta nas costas.
Ele parou. A coberta estava no chão, enrolada, e do meio dela saía um rabinho cinza.
— Mimi?
Enzo ouviu um barulhinho baixo, rrrrr, rrrrr. Levantou a ponta da coberta. Lá estava a bota amarela, deitada de lado, e dentro dela, bem enroladinha, a gata Mimi. Ela tinha os olhos fechados e parecia muito feliz.
— Essa bota é minha — sussurrou Enzo.
Mimi abriu um olho, bocejou e não saiu.
Enzo pensou outra vez. Pegou a coberta, dobrou num montinho macio e deixou ao lado da bota. Mimi esticou as patas, olhou o montinho e pulou nele, de um jeito muito importante.
Enzo calçou as duas botas amarelas e abriu a porta. Pulou na primeira poça.
Plof!
A água subiu, a chuva fininha tocou no capuz, e da janela a Mimi olhava, quietinha, bem quentinha.