Primeiras vezesPortuguês (Brasil)
Heitor e o galo ao contrário
Heitor quer ser o primeiro a chegar na escola. Hoje é o primeiro dia, e ele quer pendurar a mochila amarela no gancho da janela, o gancho mais bonito da sala.
Mas, quando ele abre a porta, tudo está branco. É a neblina. E o galo do vizinho canta de trás pra frente, como sempre faz nesses dias:
— Ócoricócó!
— Vem, Heitor — diz a mamãe. — Me dá a mão. Não dá pra ver o caminho.
Heitor não dá a mão. Ele corre. Um, dois, três passos... plac! Bate no poste da esquina.
— Ai! — ele diz, e esfrega a testa.
— Vamos devagar — diz a mamãe.
Heitor tenta outra coisa. Procura a caixa de correio vermelha, que fica perto da escola. Mas a neblina é grossa, igual leite, e a caixa vermelha não aparece.
Heitor fica parado. Está com vontade de chorar um pouquinho. Então fecha a boca e escuta.
Lá longe, alguém toca um sino.
— Blém, blém, blém.
— Mamãe, escuta! — ele sussurra. — O sino. Vem da escola!
Os dois andam para o lado do som. Blém, blém. Cada vez mais alto. Blém, blém, blém.
Na entrada, a professora Rita balança o sino com força.
— Toco o sino quando tem neblina — ela explica — para as crianças acharem o portão.
Perto do portão, uma menina de capa azul já está lá.
— Eu cheguei primeiro — diz ela.
— Eu cheguei seguindo o sino — diz Heitor.
Ele entra na sala, devagar, e ainda sobra um gancho. É o da janela. Heitor pendura a mochila amarela, e ela balança um pouquinho.
Lá fora, o sino faz blém mais uma vez, bem baixinho, dentro da neblina.