Coragem e medosPortuguês (Portugal)
O Mapa do Rodrigo
– Ouve! – disse o Rodrigo. – Alguém está a bater lá no fundo da floresta.
Toc, toc, toc. Era um som baixinho, vindo de trás das árvores grandes. O Rodrigo pôs o chapéu de explorador, apertou a mochila e foi ver.
Ele era um explorador, e dos corajosos. Queria descobrir de onde vinha aquele toc-toc e desenhá-lo no seu mapa novo. Ainda não tinha nenhuma coisa desenhada.
Andou, andou, e chegou a um rio largo. Só havia uma ponte de pedras, e uma das pedras estava molhada e escorregadia.
– Eu consigo – disse o Rodrigo.
Pôs um pé. Escorregou! Pôs o outro pé. Escorregou outra vez. O mapa quase caiu à água.
Então o Rodrigo sentou-se e olhou com atenção. Viu que as pedras secas tinham musgo verde por cima. As molhadas não tinham nada.
– Pedras com musgo, pedras seguras! – disse ele.
Foi saltando só nas pedras de musgo. Uma, duas, três, e já estava do outro lado.
O toc-toc ficou mais forte. Rodrigo espreitou por detrás de um tronco grosso. Quem era?
Era um pica-pau pequenino, com uma risca vermelha na cabeça. Bicava a casca da árvore, toc, toc, toc.
– Bom dia! – disse o Rodrigo. – Estás a bater à porta de alguém?
– Estou a procurar o meu almoço – respondeu o pica-pau. – Há formigas gordas aqui dentro.
O pica-pau bateu mais uma vez e uma formiga saiu a correr. Depois outra. Ele apanhou-as, muito contente, e nem olhou para o Rodrigo.
O Rodrigo riu-se baixinho. Abriu o mapa e desenhou uma árvore grande, com um pássaro de risca vermelha. Por baixo escreveu: toc, toc, toc.
Por cima da floresta, o sol ficou cor de laranja. O pica-pau continuou a bater, devagarinho, e o Rodrigo ficou ali sentado, a ouvir.