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Fabulada

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Manuela e o Pulo da Poça

Manuela queria pular na poça grande do quintal, a poça mais redonda que já existiu.

Ela calçou as botas amarelas. Foi até a porta e olhou. A chuva tinha feito a poça crescer, e crescer, e crescer. Agora ela ia de um lado do degrau até o pé da mangueira.

— Vai pular, Manuela? — perguntou a vovó, da janela, com uma xícara quente nas mãos.

— Vou! Mas é muito larga.

Manuela deu um pulo. Plof! Caiu no meio, e a água espirrou nas botas. A poça ficou bem ali, enorme.

— Tenta de novo — disse a vovó.

Manuela foi para trás, correu e pulou. Plof! Caiu no mesmo lugar. Só que agora a meia estava molhada.

Ela se sentou no degrau e olhou a poça. Um caracol passava devagar pela beirada, de um lado para o outro, sem pressa nenhuma.

— Você não pula — disse Manuela. — Você dá a volta.

O caracol seguiu o caminho dele. Ele só queria chegar na folha de alface, e a poça não ia impedir.

Manuela olhou o caminho do caracol. Pelo lado da mangueira, a terra era firme e tinha uma pedra lisa, bem no meio da água.

— Uma pedra! — disse ela.

Manuela pulou até a pedra. Um pulo curto. Depois pulou da pedra até a grama. Outro pulo curto.

— Dois pulos pequenos! — gritou. — O pulo grande ficou dois pulinhos!

— Muito bem! — disse a vovó.

Manuela voltou para a pedra e pulou de novo, e depois de novo. Pulo, pedra, pulo. A cada vez, a poça fazia um barulho diferente: plic, plac, plof.

Na última vez, ela ficou parada em cima da pedra. A chuva batia no guarda-chuva da vovó, na folha de alface, nas botas amarelas. O caracol chegou na folha e começou a comer.

Manuela escutou a chuva e ficou quietinha, com os pés secos e o coração saltitando.