Pular para o conteúdo
Fabulada

Profissões da comunidadePortuguês

O Padeiro da Colina

A padaria ficava no alto da colina, no fim de uma ruazinha de pedras. Ainda era noite lá fora, e a lua estava pendurada sobre o telhado.

O padeiro Davi já estava de pé. Ele acendeu o forno, lavou as mãos e disse baixinho:

— Hoje o pão tem que ficar pronto antes do sol.

É que, todas as manhãs, as pessoas da vila desciam a colina com um pão quentinho debaixo do braço. Davi queria que o primeiro pão chegasse na hora em que o sol aparecesse. Para isso, ele precisava de farinha, e a farinha estava no moinho, do outro lado do riacho.

Davi pegou o saco e foi até lá. Mas, no meio do caminho, parou. A ponte de tábuas tinha caído na chuva da tarde. Só sobraram duas pedras grandes no riacho, e o vão entre elas era largo demais para um passo só.

— Um, dois, três... pulo! — disse Davi.

Ele pulou, mas só chegou na primeira pedra. Plof! O pé escorregou e a bota ficou cheia de água.

— Ai, que frio — disse ele, e sacudiu a bota. Squich, squich.

Davi olhou em volta. Tentou outra vez, com mais corrida. Plof! De novo a água.

Então ele viu, na beira do riacho, um monte de pedras redondas, lisas como pães. Davi sorriu.

— Pedra por pedra, pãozinho por pãozinho — disse.

Ele pegou uma pedra e colocou no vão. Depois outra. E mais outra. A cada pedra, Davi repetia:

— Pedra por pedra, pãozinho por pãozinho.

Quando a última pedra encaixou, o vão virou um caminho. Davi atravessou devagar, de bota molhada, com o saco de farinha nas costas.

Na volta, o céu já ficava cor de gema de ovo. Davi assou os pães, e o cheirinho desceu a colina.

Ele abriu a porta da padaria. Lá fora, o sol subiu no mesmo instante, e os pães estalaram na bancada, quentes, crec, crec, crec, enquanto a bota ao lado do forno soltava um vapor bem fininho.