Primeiras vezesPortuguês (Brasil)
Dente Mole no Morro que Zumbe
— Meu dente está mexendo! — disse Sophia, com o dedo dentro da boca.
Ela estava sentada na plataforma, lá no alto, entre três galhos fortes. Ao redor, o morro zumbia baixinho, porque tinha começado a chover. Ali todo mundo sabia que o morro zumbia na chuva, e ninguém achava estranho.
Sophia queria uma coisa só: tirar o dente mole antes de o vovô chegar com o pão. Ela queria mostrar o buraquinho para ele.
Primeiro, ela empurrou o dente com a língua. Ele balançou, balançou, e não saiu.
— Vem, dente — sussurrou ela.
Depois, mordeu uma maçã bem grande. Crec! A maçã ficou com a marca, mas o dente continuou lá.
Uma esquilinha passou correndo pelo galho. Ela carregava uma noz para guardar no buraco do tronco. Parou só um instante, olhou para Sophia e saiu depressa. A esquilinha tinha o que fazer.
Sophia suspirou. Ir primeiro era a parte mais difícil. Ela não queria puxar o dente. Será que ia doer?
Então ela escutou o morro. Mmmmm, fazia ele, devagar. Mmmmm, mmmmm.
Sophia ficou quieta. Começou a zumbir junto: — Mmmmm, mmmmm.
O dente fez cosquinha. Ela zumbiu mais forte, com a boca bem aberta, e a língua foi para lá e para cá, de brincadeira.
Plop!
O dente pulou da boca, rolou pelo chão da plataforma e parou bem na ponta de uma tábua. Sophia pôs a mão na boca. Não doeu nada! Só tinha um buraquinho, macio, onde antes ficava o dente.
— Olha! — disse ela, e riu.
A esquilinha voltou, farejou o dente e fez uma careta. Aquilo não era noz. Foi embora de novo, com o rabo balançando.
Lá embaixo, Sophia ouviu os passos do vovô na escada.
Ela pegou o dente na palma da mão, sorriu bem largo e esperou. O morro seguiu zumbindo, mmmmm, mmmmm, e a chuva fez pingos miúdos nas folhas.