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Fabulada

Profissões da comunidadePortuguês (Portugal)

Dona Rita e o Saco Cor de Laranja

A Rita é a única carteira da aldeia que usa um saco cor de laranja, e o saco tem um bolso que faz piu-piu quando alguém o aperta.

Todas as manhãs, a Rita sai da casa do correio com as cartas arrumadas. Hoje traz uma carta muito especial. É um postal de anos para o senhor Armando, que mora no fim da rua da quinta.

— Quero entregá-lo antes do pequeno-almoço — diz a Rita. — Vai ser uma surpresa!

Ela passa pelo galinheiro. As galinhas já estão acordadas, a cacarejar. Passa pelo poço. Passa pelo burro, que mastiga palha.

Mas, à porta do senhor Armando, a caixa do correio está fechada com um cadeado grande.

— Ai! — diz a Rita. — Não tenho a chave.

Ela tenta empurrar o postal pela frincha. Não passa. Tenta dobrá-lo ao meio. Fica amassado, e a Rita desdobra-o com cuidado.

Então aperta o saco sem querer. Piu-piu!

Lá de dentro da casa, ouve-se uma voz:

— Quem está aí?

— Sou eu, a Rita! — responde ela, depressa. Depois tapa a boca. Estragou a surpresa!

Mas a Rita repara numa coisa. Ao lado da porta há uma cesta de ovos, vazia, à espera da vizinha, a dona Lurdes, que traz ovos todas as manhãs.

A Rita tem uma ideia. Põe o postal dentro da cesta, bem em cima do pano branco. Depois esconde-se atrás do poço e espera.

Esperar é difícil. Os pés da Rita mexem-se sozinhos. Um, dois, três, quatro.

A porta abre-se. O senhor Armando espreita para a cesta.

— Mas que ovo tão achatado! — ri-se ele.

Pega no postal, lê-o devagar e olha à volta.

A Rita aperta o saco de propósito. Piu-piu!

O senhor Armando sorri de orelha a orelha. A galinha mais gorda cacareja, o burro abana as orelhas, e o sol cai, quentinho, sobre o saco cor de laranja.