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Fabulada

Amizade e gentilezaPortuguês (Brasil)

Théo e o Barulho Redondo

Théo queria um amigo para brincar na casa da árvore.

A casa ficava no galho mais largo de uma árvore alta e torta. Ele subia a escada de corda toda manhã. Lá em cima, tinha duas almofadas, uma lata de biscoitos e nenhuma outra pessoa.

— Hoje eu vou achar um amigo — disse Théo.

Ele olhou pela janela. Lá embaixo, na grama, rolava uma bola pequena e cinza. Ela fazia plim, plim, plim e não parava quieta.

— Oi! — gritou Théo. — Você quer brincar?

A bola rolou para longe. Plim, plim, plim.

Théo desceu correndo. Tentou pegar a bola com as duas mãos, mas ela escapou por entre os dedos. Tentou de novo e ela escapou para o outro lado. Quando ele chegou perto, ela já estava debaixo da raiz.

— Espera! — disse Théo.

Ela não esperou. Théo sentou na grama, meio cansado. Então ele ouviu. Plim, plim, plim. A bola fazia barulho só quando andava. Quando parava, ficava calada.

Théo teve uma ideia. Ele pegou um biscoito da lata e fez um montinho de farelo bem pertinho. Depois ficou quietinho, quietinho, sem se mexer.

Plim. Plim. Plim.

A bola foi chegando devagar. Dois bigodes saíram de dentro dela. Dois olhinhos também. Não era bola nenhuma. Era um ouriço bem redondo, enrolado, com um sininho preso no espinho.

O ouriço comeu os farelos, um por um. Ele não tinha vindo para brincar. Tinha vindo atrás de comida, e só.

— Meu nome é Théo — sussurrou Théo. — Você quer mais biscoito?

O ouriço fez um barulho pequeno com o nariz: fungf. Depois sentou ao lado dele, bem perto, e ficou mastigando.

Théo ficou ali, sem pegar nem puxar nada. O sininho balançou uma última vez, plim, e depois parou. Só se ouviam a grama mexendo e o ouriço mastigando ao lado dele.