Primeiras vezesPortuguês (Brasil)
Bicicleta da Helena
Helena pedalava o mais devagar que conseguia, com os dois pés no ar e as mãos apertando o guidão. A bicicleta era vermelha, com uma campainha amarela. Ela queria andar sozinha, sem o papai segurando o banco, até o fim da Rua do Rio.
Na Rua do Rio, o rio corria morro acima. Era o primeiro dia do mês, e nesse dia ele sempre subia. Ninguém achava estranho. Os patos nadavam de costas, e a vovó Dora pendurava a roupa na margem.
— Pronta? — perguntou o papai.
— Pronta! Mas não solta!
Ele soltou. A bicicleta tremeu, tremeu e tombou na grama. Plof.
— De novo — disse Helena.
Ela tentou olhando para os pés. Caiu. Tentou pedalando bem rápido. Caiu de novo, e um pato deu um grasnido, como se risse.
Helena sentou na grama e olhou o rio. A água subia sem pressa, bem suave, sem olhar para baixo. Ela não parava para pensar nos pés. Só ia.
— Papai, olha! — disse Helena. — O rio não olha o chão. Ele olha lá na frente.
Ela subiu na bicicleta e ficou olhando para o grande salgueiro, no fim da rua. Lá longe. Um pé empurrou. O outro empurrou também.
— Olha lá na frente — disse ela baixinho. — Olha lá na frente.
A roda girou. Ela não tremeu. O vento fez cócegas nas orelhas, e a campainha tocou sozinha: trim-trim! Os patos saíram da frente, e a vovó Dora acenou com um lençol.
Helena passou pelo salgueiro e foi ainda mais longe, com o rio subindo ao lado. Atrás dela, o papai corria e corria, bem devagar, sem segurar nada.
— Olha lá na frente — cantou Helena.
E a campainha amarela fez trim-trim, trim-trim, enquanto a roda zumbia no chão.