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Manuela e o balde da neve
Manuela queria guardar o primeiro floco de neve para mostrar à vovó.
Ela desceu até o rio com o seu balde. Era um balde diferente, que sempre guardava um dedo de água no fundo, por mais que ela o virasse de cabeça para baixo. Ninguém achava isso estranho. Era só o balde da Manuela.
Os salgueiros balançavam os galhos compridos sobre as pedras lisas. De repente, uma coisinha branca desceu do céu.
— É ele! — disse Manuela.
Ela esticou a mão. O floco pousou e sumiu. Só ficou uma gota.
— Devagar, floquinho — pediu ela.
Veio outro. Ela o pegou com a luva de lã, mas a luva ficou molhada. Pôs o terceiro no balde. Plic! Ele se misturou com a água do fundo e se foi.
Manuela sentou numa pedra e suspirou.
Um pato gordo chegou andando, com muita pressa. Aquela era a pedra onde ele dormia, e ele queria o lugar de volta.
— Quá! — disse o pato, e empurrou Manuela com o bico.
Ela caiu sentada na pedra do lado, e a pedra estava gelada. Nesse instante, um floco pousou ali, bem perto da mão dela. Ele não sumiu. Ficou quietinho, como uma estrelinha de renda.
— Devagar, floquinho — sussurrou Manuela.
Ela correu e chamou a vovó, que vinha pelo caminho com o xale. A vovó se abaixou e olhou de pertinho.
— Uma estrela de verdade! — disse ela. — Eu tinha esquecido que a pedra fria guarda a neve.
Manuela sorriu. O pato sentou na sua pedra, e plof!, ficou com as costas todas brancas.
Os flocos continuaram descendo, um atrás do outro, sobre os galhos, sobre as pedras e sobre o balde. Não faziam barulho nenhum. Só se ouvia o pato, bem baixinho:
— Quá.