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Fabulada

Imaginação e fantasiaPortuguês (Portugal)

O Dragão e a Meia Vermelha

Havia uma meia vermelha a espreitar debaixo da cama do dragão. A Mariana viu-a logo, porque ela mexia.

A Mariana tinha vindo à gruta com um bolo de laranja. Era o aniversário do dragão Bento, e ela queria dar-lhe a surpresa. Mas o Bento não estava. Só a meia, que tremia no chão.

– Olá? – disse a Mariana.

– Psst! – fez a meia. – Não digas nada a ninguém.

A Mariana puxou a meia. Lá dentro estava um pintainho amarelo, pequenino, a piar baixinho.

– Eu sou a Pipa – disse ele. – O dragão guarda-me aqui. É o segredo dele. Mas o meu pé ficou preso e não consigo sair.

A Mariana puxou a meia com força. Nada. Voltou a puxar. A Pipa só dizia:

– Ai, ai, ai!

Então a Mariana pensou. Olhou para o bolo de laranja. Partiu um bocadinho e pôs migalhas ao lado da meia.

– Pipa, vem comer – disse ela. – Tu consegues.

A Pipa esticou o pescoço para as migalhas. Deu um passo. Depois outro. E a meia ficou para trás, toda mole, como uma panqueca vazia.

– Pop! – fez a Pipa, a saltar cá para fora.

Nesse instante, ouviram passos pesados. Era o Bento, de saco às costas, a entrar na gruta.

– Ah! – disse ele, a ficar corado. – Já conheceste a Pipa. Eu só queria cuidar dela. Tive medo que se risse de um dragão com um pintainho.

– Ninguém se ri – disse a Mariana. – Hoje é o teu aniversário. Trouxe-te um bolo.

O Bento sorriu. Sentou-se, com a Pipa no colo, e a Mariana cortou três fatias. Na gruta ouvia-se só o mastigar devagar, e um pio muito pequenino, que se foi fazendo sono.