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Fabulada

Primeiras vezesPortuguês

Helena e o Lanche Voador

A escola ficava no alto de uma ladeira, ao lado de uma padaria que cheirava a pão quente.

Helena ia entrar ali pela primeira vez. Tinha uma mochila amarela e, dentro dela, um pãozinho com queijo. Era o pãozinho do lanche, e ela queria entregá-lo à professora Rosa. Assim a professora saberia que Helena era uma amiga.

— Vem, Helena — disse o pai. — A porta é logo ali.

Para chegar à porta, era preciso atravessar o pátio. O pátio era grande e cheio de vento.

Helena abriu o zíper da mochila e tirou o pãozinho. Zum! O vento passou e levou o guardanapo que o embrulhava. Ele saiu voando, branco como uma nuvem pequena.

— Volta! — gritou Helena.

Ela correu atrás dele, com o pão nas duas mãos. Mas o guardanapo dançava mais depressa. Subiu, desceu e foi parar em cima do muro.

Helena respirou fundo. Então tentou outra vez. Foi devagar, bem encostada na parede, e segurou o pão apertado contra a barriga.

— Devagar, devagar — falou baixinho.

Mas o vento voltou e soprou o cabelo dela na cara. Ela não conseguia ver nada. O pãozinho quase escorregou.

Helena parou. Olhou para a sua mochila amarela, aberta e vazia.

— Já sei!

Ela pôs o pãozinho dentro da mochila e fechou o zíper até a metade. Só um pedacinho de queijo ficou aparecendo. Depois abraçou a mochila com força e atravessou o pátio inteirinho. O vento empurrava, e Helena empurrava de volta.

Na porta, a professora Rosa esperava, com o guardanapo na mão. Ele tinha descido do muro sozinho e pousado no avental dela.

— Acho que isto é seu — disse a professora, sorrindo.

Helena abriu o zíper e tirou o pãozinho. Ainda estava quentinho.

— É para a senhora. Para a gente ser amiga.

A professora Rosa deu uma mordida. O queijo esticou, esticou, e fez um fio comprido entre a boca dela e o pão. As duas riram.

Lá fora, o vento foi embora. Dentro da sala, só se ouvia mastigar.