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Fabulada

Estações e climaPortuguês (Brasil)

Helena e a Primeira Neve

Helena estava de botas e de gorro, com o nariz colado na janela, esperando.

— Hoje ela vem — disse o vovô. — O céu está com cara de neve.

Helena queria só uma coisa: pegar o primeiro floco com a mão, antes de qualquer outra pessoa. Ela nunca tinha visto neve de verdade.

De repente, um pontinho branco desceu devagar, rodando no ar. Helena correu para o quintal.

— Eu pego! Eu pego!

Ela esticou a mão. Mas o floco subiu, fugiu para o lado e foi embora com o vento.

— Volta! — disse Helena.

Veio outro floco, e outro. Cada um escapava quando ela chegava perto. Helena pulou. Helena girou. Helena bateu palmas, e nada.

— Que flocos mais danados — disse ela, e soprou o ar, que saiu como uma nuvenzinha.

Foi então que ela viu: o sopro dela empurrava os flocos para longe, como se eles tivessem medo.

Helena ficou parada. Fechou a boca. Não mexeu um dedo.

Um floco desceu, desceu, e pousou na luva dela. Ficou ali, pequenininho, com pontas como uma estrela de papel.

Helena quase nem respirou.

— Vovô — sussurrou. — Peguei.

Mas aí, lá do alto, caiu um floco bem no nariz dela.

— Atchim! — fez Helena.

Os flocos todos voaram para cima, rodando, e ela riu tão alto que o vovô riu também. Depois eles desceram de novo, aos montes, como se também estivessem rindo.

Helena ficou quieta, com a luva aberta. O quintal foi ficando branco, branco, e não se ouvia mais nada, só o vovô respirando ao lado dela e a neve pousando, sem barulho nenhum, em cima de tudo.