Primeiras vezesPortuguês (Portugal)
Tiago e o Balouço da Contagem
— Já são nove! — gritou o Tiago, lá do alto do balouço.
A mãe riu-se cá em baixo, na relva. Era o primeiro dia de escola e ela ia atrás dele, com a mochila azul às costas. Mas o Tiago não queria ir de mochila. Queria ir de balouço.
No quintal da casa deles havia um balouço de corda, preso a uma árvore inclinada. Tinha uma coisa especial, que toda a gente conhecia: ia mais alto para quem contava em voz alta. Ninguém achava isso esquisito. Era só um balouço.
O Tiago queria chegar à escola antes do último toque do sino. Ele sabia o caminho. Passava o portão, descia o carreiro e já se via o telhado vermelho.
— Vou pelo atalho — disse ele. — Vem, mãe!
O atalho era um carreiro estreito entre os arbustos. Um, dois, três passos. Mas o carreiro dava voltas e mais voltas. Ia dar a um charco. Depois ia dar à cerca das cabras. A luz da manhã já ficava fraquinha, atrás das nuvens.
— Mãe, isto não é o atalho — disse o Tiago, e a barriga fez um barulhinho. — Blup.
— Pois não — disse a mãe. — E agora?
O Tiago tentou voltar para trás. Só encontrou mais arbustos. Tentou saltar a cerca. Era alta de mais. Então olhou para cima e viu a corda do balouço, ao longe, a mexer-se devagar.
— Já sei! — disse ele.
Correu de volta, sentou-se na tábua e agarrou a corda.
— Um! Dois! Três! — contou, bem alto.
O balouço subiu, subiu, e lá de cima o Tiago viu o telhado vermelho, mesmo ali, depois da cerca das cabras. Havia uma porta aberta.
— É por aqui! — gritou.
Desceu, pegou na mão da mãe e foram os dois pelo caminho grande, a contar os passos. Quando chegaram, o sino tocou. Dlim, dlão.
O Tiago ficou à porta, com a mochila azul nas costas, e ouviu as vozes lá dentro a ficarem baixinhas, à espera dele.