Profissões da comunidadePortuguês (Portugal)
Pão Quente da Joana
A Joana queria muito que o pão estivesse quente quando o sol aparecesse. Era a padeira da aldeia, e a aldeia inteira acordava com fome.
Todas as manhãs, ela levantava-se no escuro. A casa estava fria. A lua ainda andava lá no alto, redonda como um prato.
— Bom dia, forno — dizia a Joana. — Hoje vamos fazer pão quente.
O forno ficava no cimo de uma árvore velha e inclinada, numa casa construída no ramo mais largo. A árvore tinha uma coroa nova de folhas todas as luas cheias, e ninguém achava isso esquisito. A Joana subia pela escada e acendia o lume.
Nessa manhã, a massa não queria crescer. Estava achatada, como uma panqueca triste.
— Cresce, massa — pediu a Joana.
A massa não cresceu.
Ela tapou-a com um pano. Esperou. Nada. Esfregou as mãos e espreitou outra vez. Continuava achatada.
Lá fora, o sol já estava a pensar em chegar. Cá em baixo, a fila de vizinhos começava a formar-se.
Então a Joana reparou numa coisa. O ramo estava frio, e o vento entrava pela janela. A massa gostava de calor!
— Ah! — disse ela. — Tu tens frio.
Fechou a janela. Pôs a massa perto do forno, onde o ar cheirava a lenha. Depois sentou-se ao lado, quieta, a cantarolar baixinho.
Um pássaro pousou no parapeito. Vinha só procurar migalhas de ontem, e bicou o vidro: toc, toc. A Joana riu-se.
— Ainda não, amigo. Espera um bocadinho.
Aos poucos, a massa começou a levantar-se. Primeiro um bocadinho. Depois mais um. Ficou redonda e fofa como uma almofada.
A Joana moldou os pães e meteu-os no forno. A casa encheu-se de cheiro a pão. Lá fora, o céu ficou cor-de-rosa.
Quando ela abriu a porta do forno, os pães estalaram: crac, crac, crac. Ainda estavam muito quentes, e o vapor subiu em fios.
O pássaro bicou uma côdea pequena que caiu no chão. A Joana pegou no primeiro pão, quentinho nas mãos, e ouviu os vizinhos a chegar lá em baixo.