Pular para o conteúdo
Fabulada

Profissões da comunidadePortuguês (Brasil)

Bernardo e a Carta Azul

Bernardo empurrava a bicicleta pela rua da padaria, e a sacola de cartas balançava no guidão. Ele era o carteiro do bairro, e toda manhã levava as cartas até a porta certa.

Naquele dia, a sacola tinha doze cartas. Bernardo queria entregar todas antes de o sino da escola tocar.

— Uma carta, uma porta — dizia ele. — Uma carta, uma porta.

Na casa da dona Lúcia, ele deixou a primeira. Na casa do seu Nilo, a segunda. Na casa da padaria, a terceira, e o cheiro de pão quente subiu até o nariz dele.

Mas, na décima carta, Bernardo parou. A carta azul não tinha nome. A chuva da noite tinha apagado a tinta, e só sobrava uma mancha, como uma nuvem pequena.

— Hum — disse Bernardo. — Pra quem será?

Ele olhou o envelope. Olhou de lado. Olhou contra a luz. Nada.

Então perguntou para a vizinha que regava as flores:

— Você sabe de quem é esta carta?

— Não sei, Bernardo. Mas está quase na hora do sino!

Bernardo suspirou. Uma carta, uma porta. Só que qual porta?

Ele sentou na calçada e fechou os olhos para pensar. E então ouviu um som bem baixinho, vindo do envelope: cric, cric.

Bernardo abriu os olhos. Cheirou a carta. Cheirava a hortelã!

— Hortelã! — disse ele. — Quem tem hortelã aqui?

Ele pulou na bicicleta e foi pedalando, procurando com o nariz. Passou pela padaria. Passou pelo poste. Parou diante de uma casa com vasos verdes na janela, e de lá vinha um cheiro fresquinho de folhas.

A porta se abriu. Era a Laurinha, de pijama e com uma xícara na mão.

— Carta pra mim? — ela perguntou.

Bernardo olhou dentro do envelope. A primeira linha dizia: "Querida Laurinha".

— Pra você, sim!

Longe, o sino da escola tocou: blem, blem. Bernardo ainda tinha duas cartas na sacola, mas sorriu mesmo assim. Ele ajeitou o guidão e foi andando, e a bicicleta ia cantarolando pela rua: uma carta, uma porta.