Pular para o conteúdo
Fabulada

Imaginação e fantasiaPortuguês (Portugal)

A Porta Pequenina do Jardim

– Eu quero ver o que está do outro lado – disse a Rita, de nariz encostado à porta.

A porta era pequenina, verde, e ficava no fundo do jardim, atrás do tanque. A Rita sempre a tinha visto fechada. Hoje, havia um rasto de pegadas de pó até lá, e um fio de luz por baixo.

Ela bateu: toc, toc, toc. Ninguém respondeu.

Agarrou o puxador e puxou. A porta não se mexeu. Empurrou. Nada.

– Abre-te, porta! – pediu a Rita.

A porta ficou calada.

Então a Rita sentou-se no chão e olhou com mais atenção. Em cima da porta havia um fio de lã vermelha, preso a um prego. O fio descia pela parede e acabava numa campainha de latão, bem alta, do tamanho de uma laranja.

– Ah! – disse a Rita. – Isto não é de puxar nem de empurrar.

Mas a campainha estava muito longe. A Rita esticou o braço. Esticou-se em bicos de pés. Saltou, e saltou outra vez. Nada.

Foi buscar o banquinho da avó. Subiu, devagar, com as duas mãos na parede, e puxou o fio de lã.

Ding-dong!

A porta abriu-se sozinha, a ranger. Do outro lado havia um prado macio, cheio de dentes-de-leão, e uma tartaruga de óculos, a regar as flores com um regador minúsculo.

– Boa tarde – disse a tartaruga. – Estava mesmo a pensar quando é que alguém tocava.

– Eu toquei! – disse a Rita. – Primeiro puxei, depois empurrei, e depois toquei.

– É a ordem certa – disse a tartaruga, e voltou às flores. Ela só ali estava para regar, e regava devagarinho, sem pressa nenhuma.

A Rita deu um passo para dentro. A erva fez cócegas nos pés descalços. Um dente-de-leão soltou-se com o vento e passou-lhe pelo nariz.

– Ai! – riu-se a Rita. – Atchim!

E todas as sementes voaram, como uma nuvem pequenina, por cima do prado novo.