Imaginação e fantasiaPortuguês
A Porta do Armário Azul
– Toc, toc, toc! – bateu alguém lá dentro do armário.
Enzo parou de empilhar os blocos. Ele ouviu de novo.
– Toc, toc, toc!
O som vinha da porta azul, no fundo do armário de casacos. Enzo ficou de joelhos e encostou a orelha na madeira.
– Tem alguém aí? – perguntou.
– Tem uma porta aqui – disse uma voz fininha. – E ela está trancada.
Enzo queria muito ver o que havia do outro lado. Mas a porta tinha uma fechadura pequenininha, e a chave dela estava na gaveta de cima da cômoda. Ele correu até lá, abriu a gaveta e achou a chave. Só que, quando a tirou, a chave se partiu ao meio. Crec!
– Ai, não – disse Enzo, com duas metades na mão.
– Tenta de novo! – pediu a voz.
Ele juntou as duas metades e enfiou na fechadura. Girou. Nada. Empurrou a porta com o ombro. Nada. Chamou a mãe, mas ela estava no quintal, estendendo roupa.
Enzo sentou no chão e respirou fundo. Olhou a porta com muita atenção. Então viu uma coisa: embaixo, na beirada, havia um vão bem fino, da largura de um dedo.
– Já sei! – disse ele.
Pegou uma régua e passou pelo vão. Fez força para cima, devagarinho. A tranca levantou. Clique!
A porta se abriu, e um vento morno e cheiroso entrou no armário. Lá fora havia um campo de dentes-de-leão, grandes como guarda-chuvas. Na frente deles, um coelho de óculos segurava uma cenoura.
– Obrigado – disse o coelho. – Eu só queria entregar isto aqui.
– Para quem? – perguntou Enzo.
– Para você. Foi a sua mãe que pediu.
Enzo riu. A cenoura fez nhac na primeira mordida.
Ele ficou ali, sentado na porta azul, com os pés no campo e as costas no armário. O vento morno balançava os dentes-de-leão, e todos faziam fuuuu, bem baixinho.