Família e larPortuguês (Portugal)
O Castelo de Caixas do Tiago
A sala nova cheirava a tinta e a caixas de cartão. O Tiago queria construir um castelo forte para dormir a primeira noite na casa nova. Tinha os seus brinquedos espalhados e o gato Tareco a lamber a pata ao lado da janela.
— Casa nova, castelo gigante! — cantou o Tiago.
Pegou numa caixa alta e colocou outra por cima. Só faltava pôr o lençol azul para fazer o teto. Mas quando puxou o lençol, a caixa de cima desequilibrou-se e caiu. Pum!
O gato Tareco deu um salto assustado e escondeu-se atrás da cortina.
— Ora essa — resmungou o Tiago.
Tentou de outra maneira. Segurou a caixa com o joelho enquanto esticava o lençol como uma vela de barco. A caixa escorregou outra vez e ficou toda desengonçada no chão. A mãe passou no corredor com uma caixa cheia de copos para a cozinha.
— Precisas de ajuda, Tiago? — perguntou a mãe.
— Não, eu consigo sozinho — disse ele.
O Tiago sentou-se no chão a olhar para as caixas. Reparou nas abas de cartão que estavam dobradas para dentro. Se abrisse as abas de uma caixa e as encaixasse na outra, elas ficavam presas como dentes de um puzzle. Experimentou. As duas caixas juntaram-se bem apertadas. Cric!
O Tiago esticou o lençol azul por cima e prendeu as pontas. A estrutura ficou firme como uma montanha.
— Casa nova, castelo gigante! — disse ele, a sorrir.
Gatinhou para dentro da sua fortaleza escura. Lá dentro cheirava a pano limpo e era muito quentinho. O Tareco espreitou pela porta de cartão, miou baixinho e enrolou-se nos pés do Tiago. No corredor, a pequena lanterna acendeu uma luz azul e suave. O Tiago abraçou o urso e ouviu o ronronar do gato a embalar a noite.