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Fabulada

Família e larPortuguês (Brasil)

A casa nova de Heitor

Heitor era o único menino da rua que sabia assobiar feito passarinho mesmo de boca cheia. Hoje era dia de mudar para a casa nova, e Heitor queria apenas uma coisa: colocar seu urso de pano, o Pipo, para dormir no canto macio do quarto novo antes da noite chegar.

— O Pipo precisa ver a janela nova! — disse ele para o urso.

Mas na porta do quarto havia uma montanha de caixas de papelão. A mãe de Heitor estava lá na cozinha, guardando as xícaras no armário com um barulho de clinc-clinc. Ela tinha muito trabalho e não podia ajudar agora.

Heitor tentou dar um passo bem grande por cima da caixa azul. Ops! O pé dele tropeçou num pijama enrolado e ele caiu sentado no tapete.

Depois, Heitor tentou empurrar a caixa verde com a barriga. Nheeeec! A caixa era pesada como um hipopótamo e não se mexeu nem um tantinho.

— O Pipo precisa ver a janela nova — sussurrou Heitor, coçando a ponta do nariz.

Foi aí que ele olhou lá para baixo. Bem perto do chão, entre a caixa amarela e a parede, tinha uma brechinha coberta por um lençol. Parecia uma toca de coelho.

Heitor deitou de barriga no chão. Ele empurrou o urso Pipo primeiro e foi engatinhando logo atrás, roçando os joelhos no assoalho de madeira.

Do outro lado das caixas estava o colchão novo, baixinho e cheirando a limpo. Heitor sentou no colchão e encostou Pipo no travesseiro. A luz amarela do luar entrou pela janela aberta e cobriu os pés macios do urso e os pés descalços do menino.