Pular para o conteúdo
Fabulada

EmoçõesPortuguês

O castelo de blocos do Miguel

Miguel queria construir uma torre bem alta com os blocos amarelos da sala nova. Mas a sala cheirava a tinta fresca e tinha muitas crianças que ele não conhecia. Miguel se sentiu acanhado, do tamanho de um botão.

Ele deu um passinho de formiga e olhou de fininho. Ficou parado perto da porta, apertando a mochila verde contra a barriga. A mochila parecia um escudo seguro.

No meio do tapete azul, uma menina de calça amarela tentava equilibrar um telhado redondo em cima de duas colunas. A peça escorregou e rolou pelo chão. Tloc! Foi parar bem na ponta do tênis de Miguel.

Miguel prendeu o ar. A menina só coçou o nariz e procurou a peça com os olhos, sem ver onde tinha ido parar.

Passinho de formiga, olhou de fininho. Miguel se abaixou bem devagar. Pegou o bloco vermelho. Ele era liso e pesado, frio como uma pedra de rio. Miguel deu mais dois passos e colocou a peça no tapete.

— Essa peça rola longe — disse a menina, surpresa. — Meu nome é Bia. Você sabe fazer ponte?

— Sei — disse Miguel, bem baixinho.

Ele se sentou no tapete macio. Pegou dois blocos amarelos compridos e colocou um do lado do outro.

— Olha, dá para colocar o telhado aqui — falou Miguel, mostrando o espaço.

Bia encaixou a peça redonda por cima. A torre ficou firme. Miguel sorriu, pegou mais um bloco amarelo e sentiu o calor do sol batendo nas suas costas.