EmoçõesPortuguês (Portugal)
O Pião na Casa da Árvore
A casa da árvore tinha um chão de madeira macia. O Pedro subiu a escada e parou no último degrau.
— Devagar, devagarinho, dá mais um passinho — disse ele para si próprio.
Guardou o pião encarnado no bolso. Ele queria muito rodar o pião na madeira lisa e arranjar amigos para brincar.
Mas aquele lugar era novinho em folha e cheirava a tinta fresca. O Pedro sentia as pernas pesadas como dois sacos de areia. Ficou encolhido ao lado da porta, com o coração a bater depressa.
Uma menina de casaco amarelo estava sentada no chão, a construir uma torre alta de blocos. Um melro curioso aterrou na varanda: pinc! O passarinho pegou num bloco verde com o bico e voou para as folhas. A torre abanou toda, prestes a cair.
O Pedro quis ajudar.
— Devagar, devagarinho, dá mais um passinho — murmurou outra vez.
Tirou o pião encarnado do bolso e pô-lo a girar na madeira. Zuum! O pião dançou em círculos e foi encostar devagarinho na base da torre, travando os blocos antes de caírem.
A menina olhou para baixo e deu um salto de surpresa.
— Uau! — disse ela. — A minha torre não caiu! Tu tens um pião mágico?
O Pedro sentiu o aperto no peito a desmanchar-se.
— Não é mágico — disse ele, chegando-se para junto dela. — É só rápido. Eu sou o Pedro.
— Eu sou a Rita — disse a menina, fazendo-lhe espaço no chão quentinho. — Tu queres fazer o pião girar outra vez?
O Pedro sentou-se na madeira solarenga. Pegou no pião encarnado e sentiu o chão liso debaixo das pernas enquanto a brisa soprava baixinho nas folhas.