EmoçõesPortuguês (Brasil)
O trem azul de Théo
— Olha quanta coisa legal aqui dentro — disse o papai, abrindo a porta da sala nova.
Théo queria muito brincar com o trem de madeira que ficava no meio do tapete verde. O trem tinha vagões coloridos e trilhos compridos. Mas a sala era nova, cheirava a lápis de cor e tinha gente que ele não conhecia. As pernas de Théo ficaram pesadas como sacos de areia. Ele se escondeu atrás da perna do papai.
Uma menina de laço amarelo estava ajoelhada no tapete, encaixando uma ponte alta. Ela precisava terminar a ponte antes do sino do lanche tocar, por isso encaixava as peças bem rápido.
Théo deu um passo para a frente, mas o peito deu um aperto. Ele voltou para trás do casaco do papai. Nhic! A porta de entrada fez um barulho e se encostou.
Aí Théo olhou para o chão. Debaixo de uma cadeira de plástico, sozinho na sombra, estava um vagão azul com rodinhas pretas.
— Você também está escondido aí? — cochichou Théo bem baixo.
Ele se agachou e pegou o vagão. O tapete era fofinho. Théo rolou o vagão azul pelo chão. Pi-uí! — fez ele, com a voz bem fininha.
A menina do laço amarelo olhou para ele.
— Esse azul é o vagão que leva as pedras — disse ela.
Théo não respondeu com palavras, mas deu um sorriso pequeno. Ele engatinhou devagar até a ponta do trilho e encostou o vagão azul na locomotiva. Clique! Os ímãs se juntaram com um estalo gostoso.
Théo empurrou o trem de madeira pela subida da ponte. Ele sentiu a madeira lisa sob os dedos e ouviu as rodinhas girando no trilho.