EmoçõesPortuguês
Lucas e o Abraço de Papel
"A vovó Rita volta só no domingo?", perguntou Lucas.
O menino queria muito mandar um abraço para a vovó porque estava com saudades. A saudade era como um beliscão macio no peito, daqueles que dão vontade de colo.
Primeiro, Lucas tentou fechar os braços bem forte e colocar o abraço dentro do envelope.
— Não cabe! — disse ele.
Plafe! O envelope caiu longe. O gato Pepito, que estava ali no tapete só para cochilar no sol, abriu um olho devagar e miou baixinho.
Depois, Lucas pegou o giz de cera vermelho para desenhar o abraço. Ele apertou a ponta na folha com tanta força que o giz fez croc! e quebrou no meio.
— Assim não dá — suspirou Lucas. — Um abraço precisa esticar!
Foi aí que ele olhou para o caixote de costura. No meio de tesouras e carretéis coloridos, viu uma fita azul bem comprida. Lucas teve uma ideia.
Ele colocou a mão esquerda sobre o papel e desenhou em volta de cada dedinho. Depois fez igual com a mão direita. Cortou as duas mãozinhas com cuidado. Amarrou uma ponta da fita na mão de papel da esquerda e a outra ponta na mão da direita.
Quando Lucas puxou, a fita se abriu pela sala inteira.
— Um abraço precisa esticar! — comemorou ele.
Lucas dobrou as mãozinhas com carinho e guardou tudo dentro do envelope amarelado. O papel cheirava a giz de cera e a tarde limpa. Ele encostou o envelope no peito e sentiu aquele calor quentinho do abraço que logo, logo ia viajar.