Família e larPortuguês (Brasil)
A Irmãzinha Recém-Nascida de Miguel
Miguel equilibrava três blocos amarelos na ponta do nariz. Ele queria muito fazer a sua irmãzinha recém-nascida dar uma risada para ele. A bebê tinha chegado do hospital e parecia um pãozinho macio enrolado na manta azul.
A mãe estava sentada na poltrona, compenetrada, tentando ajeitar o travesseiro nas costas para descansar.
— Olha para mim, irmãzinha! — disse Miguel.
Ele deu dois pulos grandes de sapo no tapete. Os blocos caíram no chão com um barulho engraçado: pum! Mas a bebê nem piscou. Ela só fechou os olhos apertados e fez um som miúdo: nhém-nhém.
Miguel tentou outra coisa. Ele pegou o seu coelho de pano e fez o bichinho dar piruetas no ar.
— Olha o coelho voador! — ele chamou, balançando as orelhas do brinquedo.
A irmãzinha continuou deitadinha, sem se mexer. Miguel suspirou e se ajoelhou bem perto do braço da poltrona. Foi aí que ele reparou em um detalhe.
Saindo do meio da manta, a mãozinha da bebê estava aberta, mexendo os dedinhos bem devagar, como se fosse uma estrela pequena procurando algo. Miguel esticou o seu dedo mindinho e encostou na palma dela.
A bebê fechou os dedinhos em volta do dedo de Miguel com uma força surpresa. Ela abriu os olhos devagar, olhou bem para o rosto dele e soltou um suspiro quentinho. Um sorriso bem pequeno apareceu no canto da boca dela.
Miguel ficou ali paradinho, sem fazer barulho, sentindo o aperto morno daquela mãozinha no seu dedo.