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Fabulada

Animais e naturezaPortuguês (Portugal)

O Ursinho Pardo Quer Dormir

— A minha cabeça pesa como uma melancia grande — disse o ursinho Pardo, dando um bocejo compridíssimo.

O Pardo era um urso pequeno e muito sonolento. A única coisa que ele queria era encontrar um lugar bem macio na floresta para fazer a sua sesta da tarde.

Viu um monte de folhas secas debaixo de uma carvalha. Deitou-se lá, fechou os olhos e suspirou. Mas logo a seguir, croc-croc! Um esquilo saltou do galho e começou a enterrar nozes mesmo ao lado da orelha do Pardo. O esquilo precisava de arrumar a sua comida antes que a chuva chegasse, por isso não podia parar.

— Pobre da minha orelha — murmurou o Pardo.

Ele levantou-se e caminhou até à beira do riacho. Encontrou uma moita de musgo verde que parecia uma almofada fofinha. Encostou o focinho, mas o musgo estava tão molhado que o urso ficou com a ponta do nariz cheia de lama fria. Não dava para dormir ali.

O Pardo esfregou o nariz com a pata. Olhou em volta, desanimado. As suas pernas já pareciam puré de batata de tão cansadas. Foi então que olhou para cima e viu a sua própria sombra projetada na relva alta.

A sombra do Pardo era grande, redonda e não fazia barulho nenhum. O ursinho deu três voltas sobre si próprio, como os cães fazem, e dobrou as patas para dentro. Abraçou a sua própria cauda curta, encostou a testa nas patas e fez uma bola perfeita de pele quentinha.

O esquilo continuou a fazer croc-croc ao longe, mas o Pardo já não ouvia nada. O seu focinho mexia-se devagar, para cima e para baixo, ao ritmo da sua respiração calma, no meio do cheiro a terra limpa e folhas secas.