Animais e naturezaPortuguês (Portugal)
O Gatinho e a Farinha
Miau!, fez um barulho fininho vindo da cozinha, e o gatinho Milo correu logo para ver o que era. Milo tinha as orelhas pontiagudas, os olhos muito redondos e uma curiosidade do tamanho do mundo. Naquela manhã, ele só queria subir para cima da mesa grande para cheirar as coisas boas que cheiravam a pão fresco.
Quando chegou à cozinha, a mesa estava cheia de sacos. A mãe do Francisco estava a fazer um bolo e tinha deixado uma grande nuvem de farinha branca no ar. Milo deu um salto muito alto, mas roou numa colher de pau e caiu de focinho direto numa tigela cheia de farinha.
— Atchim! — espirrou o Milo, com o nariz todo branco.
O gatinho tentou dar um passo para fugir dali, mas as patas escorregavam na madeira lisa. Miau, miau!, miava ele, balançando o rabo como um chocalho. O Francisco entrou na cozinha para ir buscar o seu urso de peluche, que já estava deitado na única cadeira vaga. O menino olhou para o Milo, deu uma gargalhada e disse:
— Tu estás parecido com um bolo de neve, Milo! Mas agora não posso brincar, preciso do meu urso.
Milo precisava de sair dali sozinho. Olhou para o chão, olhou para a mesa e viu uma coisa engraçada. Cada vez que ele mexia uma pata, a farinha deixava uma pegada no chão que brilhava muito devagarinho, como uma luzinha fraca. O gatinho achou aquilo muito divertido. Em vez de escorregar, Milo começou a pisar devagar, com muito cuidado, fazendo uma linha de luz até à beira da mesa. Um passo, outro passo, firme e seguro.
Com um salto leve, Milo desceu da mesa para o chão macio. O seu nariz ainda tinha um pingo branco, e na cozinha ouvia-se apenas o rosnar guloso do seu ronronar, enquanto as pequenas pegadas brilhantes começavam a desaparecer devagar debaixo da mesa.