Animais e naturezaPortuguês (Portugal)
Joaninhas no Jardim
Rita está em bicos de pés, com o braço esticado o mais que pode.
À frente dela, o jardim está cheio de joaninhas. Há joaninhas nas folhas, nas flores e na cerca. Rita quer só uma coisa: uma joaninha na mão, para a mostrar à avó.
Mas as joaninhas estão lá em cima, no alto da cana do feijão. Estão a comer pulgões, que são bichinhos verdes muito pequeninos. Nem olham para Rita.
— Joaninha, desce! — chama ela. — Vem cá!
Nenhuma desce.
Rita traz o banquinho da avó e sobe para cima dele. Estica o braço. Ainda falta um bocadinho. Mais um bocadinho.
O banquinho abana. Rita salta para o chão, pof!, e senta-se na relva, de braços cruzados.
— Elas não querem vir — diz.
Então sente uma cosquinha no joelho. Uma joaninha de sete pintas anda pela meia dela. Sobe, sobe, sobe, até ao joelho. Depois pára e fica a olhar para cima.
Rita fica muito quieta. Repara numa coisa: a joaninha só quer ir para o sítio mais alto.
— Ah! — sussurra. — Tu gostas de subir!
Rita não levanta o banquinho nem o braço. Levanta só um dedo, bem direitinho, como uma torre pequenina, e encosta-o ao joelho.
A joaninha pensa um bocadinho. Depois caminha para o dedo. Sobe pela primeira articulação, sobe pela segunda, até chegar à ponta.
Lá em cima, abre as asas e faz um zumbido ao de leve: zzzum. Mas não voa. Fecha as asas outra vez, como quem diz que afinal está bem ali.
Rita ri-se baixinho, e a joaninha faz-lhe cócegas.
— Avó! — chama, sem mexer o dedo. — Vem ver! Tenho uma joaninha de sete pintas!
No dedo de Rita, ao sol, a joaninha brilha como uma gotinha vermelha, e lá em cima, no feijão, todas as outras continuam a comer.