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Fabulada

Animais e naturezaPortuguês (Brasil)

Um jardim cheio de joaninhas — uma história de ninar

Valentina quer uma joaninha no dedo, só uma, só por um minutinho.

O jardim da vovó está cheio delas. Tem joaninha na rosa, joaninha no manjericão, até na bota velha perto da porta. São vermelhas como morango, com pintinhas pretas como gotas de chocolate. Estão ali para comer os pulgões, uns bichinhos verdes e miúdos que mordiscam as folhas.

Valentina estica a mão. Fiu! A joaninha abre as asinhas e voa.

Ela tenta de novo, na ponta dos pés. Fiu! Tenta correndo. Fiu, fiu, fiu! Um monte de pontinhos vermelhos sobe no ar.

— Elas não gostam de mim — diz Valentina.

— Elas gostam de pulgão, meu bem — diz a vovó, regando a alface. — É por isso que estão aqui.

Valentina senta no chão e apoia o queixo na mão. Fica quietinha. Bem na frente dela, uma joaninha anda por um galhinho. Sobe, sobe, sobe até a pontinha. Para. O galho da frente está longe demais para um passo só.

A joaninha vira para um lado. Vira para o outro. Valentina repara que ela não voa. Ela quer andar.

Então Valentina ergue o dedo, devagarinho, devagarinho, e deita o dedo como uma ponte entre os dois galhos. Não se mexe. Nem o nariz.

A joaninha toca o dedo com uma perninha. Depois com outra. E sobe.

— Ai! — cochicha Valentina. — Que cócegas!

A joaninha anda pela unha, pelo nó do dedo, e chega bem na pontinha. Abre as asinhas. Valentina prende o ar.

Mas a joaninha só estica as asinhas, sacode, e fecha de novo, como quem arruma o casaco.

— Um — sussurra Valentina. — Dois. Três.

O jardim inteiro fica em silêncio, só com o barulhinho da água da vovó. No dedo de Valentina, a joaninha continua ali, pequena e quente, fazendo cócegas com seus pezinhos.

— Quatro — sussurra Valentina.