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Fabulada

Animais e naturezaPortuguês (Portugal)

A Baleia e a Lanterna Azul

A Inês queria muito ver uma baleia cantar debaixo das estrelas.

Todas as noites, ela descia à praia com o avô e a lanterna. A lanterna ardia azul, porque naquela noite não ia chover. Ninguém na aldeia achava isso estranho. Era assim e pronto.

— Hoje ela vem — dizia a Inês.

Mas o mar estava vazio. Só havia ondas pequeninas, chuá, chuá, chuá.

A Inês cantou para o mar. Nada. Então bateu palmas, muito alto. Nada outra vez.

— Calma — disse o avô. — Uma baleia não vem por mandar.

A Inês sentou-se na areia, com o queixo nos joelhos. Olhou para a lanterna. A luz azul tremia na água, devagarinho.

— Avô, a luz está a mexer — disse ela. — Mexe como as ondas.

Teve uma ideia. Pegou na lanterna e pô-la mesmo à beira da água. Depois apagou-a, acendeu-a, apagou-a, acendeu-a. Era um piscar lento, como um olho a abrir e a fechar.

— O que estás a fazer? — perguntou o avô.

— Estou a dizer olá.

Esperaram. As ondas faziam chuá, chuá, chuá.

De repente, o mar levantou-se como uma colina escura. Um jacto de água subiu até às estrelas e caiu em cima do avô.

— Atchim! — fez o avô, todo molhado.

A Inês riu-se tanto que teve de agarrar a barriga.

A baleia ficou ali, grande e calma. Tinha a pele a brilhar de azul, igual à lanterna. Depois abriu a boca e cantou. Era um som fundo e comprido, que passava pelos pés e subia pelas costas.

A Inês não disse nada. Pôs a lanterna no colo, acesa, e encostou-se ao avô, que pingava.

A canção ficou a rolar pela praia, e as estrelas pareciam ouvir.