Animais e naturezaPortuguês (Portugal)
O Cãozinho do Tomás
A sala estava cheia de caixas de papelão altas. Tomás pulava à volta da maior de todas porque sabia o que lá estava dentro. Era um cãozinho preto e branco, tão pequenino que parecia um novelo de lã. O Tomás só queria brincar com ele e ver o seu rabo abanar.
— Vem daí, Café! — chamou o Tomás.
Mas o cãozinho não saía de debaixo da mesa. Ficou lá no fundo, encolhido, com os olhos muito redondos a olhar para tudo.
O pai estava a dobrar mantas no sofá.
— Deixa-o estar, Tomás — disse o pai. — Ele ainda é muito novo e esta casa é gigante para ele.
O Tomás ajoelhou-se no tapete. Experimentou chamar outra vez, assobiando baixinho. Fiiiii! O cãozinho Café deu um passo à frente, mas a caixa do correio fez um ruído forte à porta, trlim, e o cãozinho voltou a encolher-se, escondido atrás da perna da mesa.
Então, o Tomás teve uma ideia. Lembrou-se do seu urso de peluche mais macio, o que cheirava a casa e a colo. Correu ao quarto, trouxe o urso e deitou-se de barriga para baixo no chão. Pôs o urso devagarinho junto aos seus próprios pés e começou a puxá-lo para trás, muito devagar, como se o urso estivesse a passear sozinho.
O Café espreitou. Deu um passo curto. Depois outro. O nariz do cãozinho começou a morder o ar, cheirando o tapete e o urso.
O Tomás não se mexeu. Ficou baixinho, sem fazer barulho. O cãozinho aproximou-se mais um bocadinho, encostou o focinho húmido na meia do Tomás e deu um salto leve. O rabinho preto começou a abanar de um lado para o outro, tão depressa que parecia uma hélice.
O Tomás sentiu o cansaço quente do cãozinho a deitar-se em cima do seu pé, e o Café adormeceu ali mesmo, a suspirar devagar.