Animais e naturezaPortuguês (Brasil)
O Ursinho e o Vento
Nhoc, nhoc, nhoc! Bernardo, um ursinho muito peludo e sonolento, ouviu aquele barulhinho engraçado e deu um pulo da sua cama de folhas secas. Ele estava com os olhos quase fechando de sono, mas queria muito encontrar o seu cobertor de lã amarela antes de dormir. Sem o cobertor, a ponta do seu nariz ficava gelada como um picolé.
Bernardo procurou debaixo da mesa de madeira. Encontrou uma meia vermelha, um pião de madeira e uma colher cheia de mel, mas nada do cobertor amarelinho.
— Você viu o meu cobertor, Dona Coruja? — perguntou Bernardo, esfregando os olhos.
A coruja estava pousada na janela, limpando as penas porque ia caçar à noite.
— Eu vi algo amarelo voando perto do lago — disse a coruja, balançando as asas. — Parecia uma borboleta gigante!
Bernardo correu até o lago, dando passos lentos e preguiçosos. Passo, passo, bocejo. Quando chegou lá, viu o cobertor preso no galho mais alto de um arbusto, bem no meio de uma vitória-régia enorme. O vento soprava devagar e fazia o cobertor dançar. Bernardo esticou o braço, mas não alcançou. Ele tentou pular, só que estava tão sonolento que seus pés mal saíram do chão. Puft! Bernardo caiu sentado na grama macia.
Ele olhou para a água e percebeu uma coisa. A folha da vitória-régia era grande e flutuava como um barquinho. Bernardo subiu na folha com cuidado, usou um galhinho seco para empurrar a água e navegou até o arbusto. Ele esticou a pata, puxou o cobertor pela pontinha e o abraçou bem forte.
O cobertor tinha cheiro de flor e estava bem quentinho. Bernardo voltou para a margem, enrolou-se no pano amarelo ali mesmo, encostou a cabeça no tronco de uma árvore e fechou os olhos enquanto o lago fazia um leve barulho de água deitar na areia.