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Fabulada
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Um espirro muito altoPT

O espirro do gigante

No topo da Colina dos Três Ventos, o ar cheirava sempre a capim-limão amassado, a luz do sol parecia pintar as pedras de um amarelo muito vivo e morno, e as árvores cresciam todas ligeiramente inclinadas para a esquerda, como se estivessem cochichando um segredo para a terra. Lá vivia Thiago, um menino cujas bochechas ficavam muito vermelhas sempre que ele tentava guardar um segredo.

Naquela manhã fria, enquanto ajudava o velho jardineiro do vilarejo a recolher folhas secas no quintal, Thiago sentiu uma cosquinha terrível bem na ponta do nariz. Era uma coceira teimosa, que subia pelos olhos e fazia sua barriga tremer, mas ele não queria fazer barulho e atrapalhar o silêncio macio da colina. O menino apertou os lábios, franziu a testa e prendeu a respiração, sentindo um aperto agoniante no peito de tanta vontade de explodir.

O velho jardineiro, que podava um galho seco com sua tesoura enferrujada, parou o trabalho, olhou para o rosto vermelho de Thiago e disse, num sussurro bem baixinho:

— Você está com uma vontade gigante de espirrar e seu peito está quase estourando de tanta aflição, não é? Espirre logo, menino, mas antes segure esta folha de hortelã seca entre os dedos.

Thiago pegou a folha áspera e, finalmente, soltou o ar. O espirro veio tão alto, mas tão alto, que as folhas secas voaram para o alto como confete e um passarinho assustado piou no galho. A coceira sumiu na hora, e o peito do menino relaxou, leve e fresco.

O sol continuava a pintar as pedras com seu amarelo morno, mas agora o vento parecia cantar mais suave entre as árvores inclinadas. Daquele dia em diante, Thiago aprendeu que alguns barulhos precisam mesmo sair do corpo, e ele nunca mais tentou segurar um espirro na Colina dos Três Ventos.