Imaginação e fantasiaPortuguês (Brasil)
O segredo do dragão
— Psiu, Manuela! Vem cá! — disse uma voz fininha, atrás da pedra grande.
Manuela parou. Ela era a menina que cuidava das lanternas do vale, e naquela noite queria acender todas antes de escurecer. Mas a voz soou outra vez, e ela foi ver.
Era um dragão pequeno, verde como folha, encolhido ali atrás.
— Eu tenho um segredo — sussurrou ele. — Mas está preso na minha barriga. Não sai.
— Que segredo? — perguntou Manuela.
— Se eu contar, não é mais segredo!
Manuela pensou um pouco. Então fez cócegas na barriga dele.
O dragão riu, riu, e saiu só um hic. Nada de segredo.
— Vamos tentar outro jeito — disse ela. — Você pode sussurrar no meu ouvido.
O dragão encostou a boca na orelha dela. Soprou, soprou, e saiu uma fumaça quentinha que fez cócegas. Manuela espirrou. Atchim! Nada de segredo.
A noite já chegava. Faltavam três lanternas. Manuela olhou para o dragão, que estava triste, e olhou para as lanternas apagadas. De repente, ela viu uma coisa.
— Dragão, você sopra fogo?
— Soprar eu sopro. Só não sei se é pequeno ou grande.
— Então sopra bem devagarinho aqui, ó.
O dragão encheu o peito. Soprou bem de leve, e uma chama dourada pulou para dentro da primeira lanterna. A lanterna acendeu.
— Acendeu! — gritou o dragão. — Era esse o meu segredo! Eu sei fazer fogo pequenininho!
— Agora faltam duas — disse Manuela, sorrindo.
Eles foram juntos de lanterna em lanterna. Soprar devagarinho, uma luz. Soprar devagarinho, outra luz.
Quando a última acendeu, o vale inteiro brilhou. O dragão se sentou ao lado dela, com a barriga quentinha, e as lanternas balançaram de leve, estalando baixinho: tric, tric.