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O Pequeno Ananás de Tomás

No fundo do quintal da pequena casa amarela, onde o cheiro de terra molhada era sempre doce e a luz do sol parecia pintar as folhas de dourado, havia um canteiro secreto onde as plantas cresciam mais do que em qualquer outro lugar. Ali vivia Tomás, um menino de cabelos muito cacheados que cheiravam a hortelã.

Numa manhã de vento calmo, Tomás descobriu que o ananás que ele tanto cuidava tinha crescido tanto que tombara para o lado, encostando-se à cerca de madeira. Ele queria muito colher a fruta coroada para o lanche, mas, ao tentar erguê-la, o ananás parecia pesado como uma pedra do rio e as suas folhas pontiagudas espetavam-lhe as mãos. Tomás sentou-se na terra úmida, cruzou os braços e sentiu um aperto quente no peito, uma impaciência que fazia as suas bochechas arderem.

A sua avó, que colhia salsa ali perto, aproximou-se devagar com os seus passos macios. Ela olhou para o ananás tombado e depois para o rosto amuado do menino.

— Vejo que estás muito impaciente para provar essa doçura, Tomás — disse ela com uma voz calma, sem tentar levantar a fruta por ele. — Às vezes, as coisas boas da terra pedem que dês um passo atrás antes de as colheres. Toma, segura esta folha de bananeira e limpa o suor da testa.

Tomás pegou na folha fresca, respirou fundo o aroma verde e olhou novamente para o obstáculo. Em vez de puxar com força, ele percebeu que podia cavar a terra fofa ao redor da base com uma pequena colher de pau, libertando as raízes presas. Com paciência, a fruta cedeu.

Ao fim da tarde, o quintal estava mais silencioso e a luz do sol brilhava mais suave e avermelhada entre as árvores. Tomás e a avó sentaram-se no degrau de pedra, saboreando os pedaços amarelos e sumarentos que agora pareciam ainda mais doces. Desde esse dia, sempre que Tomás queria colher algo no quintal, ele lembra-se de respirar primeiro e conversar com a terra depois.